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Tudo-Sobre-A-TV

MAIS DO QUE UM BLOG SOBRE TELEVISÃO

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“Um quinto canal forte vai empobrecer os canais existentes”

Num encontro realizado ontem com jornalistas pelo Omnicom Media Group, Luís Mergulhão, presidente do grupo, alertou para o perigo de poderem a vir ser tomadas decisões a breve prazo pelas entidades reguladoras que podem ter um grande impacto no sector. Isto porque, defendeu esse responsável, apesar de se dizer que este sector representa investimentos de 4.500 milhões de euros em publicidade, esses valores são de tabela e na realidade não vão além dos 800 milhões de euros. “É um perigo enorme tomar decisões com base em preços de tabela”, alertou Luís Mergulhão.Além do mais, numa altura que se discutem temas como o 5º canal e a TDT, há que ficar claro, segundo este profissional, que por exemplo o meio televisão não representa 71% do mercado (sendo este o valor com investimentos de tabela), mas sim cerca de 50%, com valores de investimento reais.
Este profissional deixou ainda outro esclarecimento: é que apenas 31% do consumo de cabo é de canais não generalistas, sendo os restantes 69% de canais generalistas difundidos através do cabo.
Luís Mergulhão, durante o encontro, alertou ainda para a questão da dependência que as televisões portuguesas ainda têm da publicidade, que representa cerca de 90% das receitas, ao passo que em canais internacionais, como a RTL, essa dependência está já em 61%. Segundo Mergulhão é urgente que as televisões portuguesas continuem a tentar encontrar novas fontes de receita.
“O 5º canal irá disputar o montante publicitário que neste momento está distribuído pelos outros quatro. Se o canal se posicionar com pretensões de disputar a liderança poderá ter um impacto muito negativo especialmente por estarmos num ano de crise”, disse o presidente do Omnicom Media Group. E explicou: “O operador que pretende ser pujante para a economia vai debilitar os media que estão já em situação complicada. 2010 é já amanhã e sabemos que a crise não vai desaparecer em dois anos”.

Na opinião deste responsável a vontade de espicaçar os canais existentes poderá ter o efeito preverso de debilitar a concorrência. Pode minguar a oferta e logo o pluralismo existente, o que não é positivo para as marcas já que os conteúdos produzidos tenderão a ser menos fortes e inovadores. “Do ponto de vista das marcas precisamos que os actuais canais continuem fortes. Um quinto canal forte vai empobrecer os canais existentes, ou seja as marcas estariam a comunicar em canais mais pobres. E isso será pior para as marcas que querem é estar junto de conteúdos estimulantes”, rematou.