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EXCLUSIVO: Descubra já o que vai acontecer no primeiro episódio de "Anjo Meu"!

A noite de 25 de Abril de 1974 era clara, de luar. Na Herdade da Tamargueira, a família Rebelo da Cunha dá um jantar para outros lavradores ricos da zona e suas famílias. Geraldo está sentado à cabeceira da mesa e Maria Luísa, sua esposa, na outra ponta. Eva, a filha dos dois também está sentada à mesa e Joana Rita, a governanta e amante de Geraldo, assegura-se que tudo corre bem. Rogério, meio-irmão de Geraldo, e Madalena sua mulher também estão presentes. A um canto está Afonso, pai de Geraldo, sentado numa cadeira de rodas, visivelmente debilitado. O ambiente é festivo.
Seguem todos para a sala. Enquanto a família Rebelo da Cunha e os convidados se vão sentando, no painel começam a ser projectadas imagens da família relativas à época do Estado Novo, contudo rapidamente as atenções se viram para o rádio, onde se ouve a música «Grândola Vila Morena». O espanto é geral, Afonso fecha os olhos e deixa cair a cabeça.
No dia seguinte, a caminho da Vila do Anjo, Geraldo encontra Libório, o encarregado, que distribui o trabalho. Hermano, irmão de Joana Rita e um dos trabalhadores mais reaccionários, protesta por não ter trabalho quando Geraldo e a sua filha passam de charrete e tentam perceber o que se passa. Este queixa-se de não ter trabalho mas Geraldo não mostra o mínimo de preocupação, apenas Eva, que crítica a frieza do pai.
Joana Rita recebe uma visita que a deixa radiante: Matias, o seu filho, que vivia com o pai em França. Depressa se desvanece a felicidade quando este a avisa que voltou para alistar-se nas forças armadas.
Meses depois...
Em Lisboa, Eva chega do Colégio e vê várias malas junto à porta. Geraldo diz à filha que terão de fugir de Lisboa o mais depressa possível. Bastante nervoso, Geraldo queima alguns papéis que retirou do cofre. Ouve-se a campainha a tocar insistentemente. À porta, estão Matias, Vítor e Luís, três camaradas da revolução, com uma ordem de prisão para Geraldo.
Enquanto Geraldo se esconde na cave, Eva abre a porta e diz que o seu pai não se encontra em casa. Os três soldados empurram-na e entram para revistar a casa. Com o objectivo de proteger o pai, Eva pega numa arma e dispara sobre um dos soldados. Matias ordena que chamem uma ambulância, em vez de continuarem as buscas e prende Eva com o coração despedaçado.
Matias conduz o jipe, em silêncio, tenso. Ao seu lado, Eva, algemada, tem os olhos postos no infinito, ainda em choque. Matias pretende protegê-la, fazer alguma coisa que ponha fim ao sofrimento da sua amada. Aquele longo momento constrangedor é quebrado pelo som do intercomunicador, que faz com que o rapaz desperte e decida, sem pensar, soltar Eva. Esta desata a correr mas pára por instantes, os olhares cruzam-se e Eva segue-o com os olhos até Matias desaparecer.
Na sede da COPCON (Comando Operacional do Continente), o Capitão tenta perceber como é que Rebelo da Cunha e a sua filha conseguiram escapar. Vítor informa que o colega Matias os traiu e deixou escapar a rapariga, acrescentando que talvez se deva ao facto de pertencer a Vila do Anjo, a mesma terra de Rebelo da Cunha. Matias perde a cabeça e dá um murro a Vítor. Contudo os seus esforços para salvar Eva são em vão, pois o capitão recebe uma chamada a dar conta do paradeiro dos dois e Matias é algemado.
Rogério, farto de viver na sombra e às custas do irmão, desliga o telefone com um peso enorme na consciência após denunciar Geraldo às autoridades.
Eva e Geraldo Rebelo da Cunha chegam finalmente ao Alentejo e contam a Maria Luísa que todas as empresas e bens foram nacionalizados e que perderam tudo. Os poucos amigos que ainda estão em Portugal foram presos. O clima é de tensão e insegurança.