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Tudo-Sobre-A-TV

MAIS DO QUE UM BLOG SOBRE TELEVISÃO

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O que vai mudar com a Televisão Digital Terrestre

Para o consumidor final, a principal mudança tem a ver com a melhoria da qualidade de imagem e som.

A Televisão Digital Terrestre já está operacional. Saiba como se preparar para o ‘apagão’ do sinal analógico, em 2012, e o que vai mudar na televisão.

Primeiro foi o som. Depois, a imagem a cores, a televisão por satélite, por cabo e os canais pagos. A televisão passou por várias evoluções até ao formato que se conhece hoje. E, no próximo ano, assiste-se a mais uma transformação: o sinal analógico, usado até agora, será desligado de vez, e a passagem para a Televisão Digital Terrestre (TDT) será definitiva.

Para o consumidor final, a principal mudança tem a ver com a melhoria da qualidade de imagem e som, além de "novas funções que actualmente só estão acessíveis a quem tem televisão paga", desde a paragem da imagem, guia de navegação ou até a gravação de programas, dependendo do tipo de ‘box' escolhida pelo utilizador, como explica fonte oficial da Anacom ao Diário Económico.

Quem tem apenas os quatro canais gratuitos (cinco nas Regiões Autónomas), terá de comprar um equipamento específico, uma ‘box', que fará a conversão do sinal analógico para o digital - isto se o actual aparelho de televisão ainda não for compatível com a TDT. As caixas custam entre 60 e 215 euros e cada televisão precisará de uma caixa descodificadora. Esta alteração, porém, só se aplica a consumidores que mantenham os quatro canais gratuitos. Quem tem televisão paga não terá de proceder a qualquer alteração.

O fim do analógico será feito por fases até 26 de Abril de 2012. Em Alenquer, o emissor analógico é desligado já a 12 de Maio, seguindo-se o Cacém a 16 de Junho e Nazaré a 13 de Outubro. A televisão digital já está disponível em 100% do território: 87% via terrestre e 13% via satélite -o que significa que o consumidor pode desde já avançar para a aquisição de um equipamento que "descodifique" o sinal analógico ou verificar se a televisão é compatível com a TDT. A execução está a ser levada a cabo pela Portugal Telecom (PT), a quem foi atribuída esta licença e também a licença da TDT paga, que acabou por ser devolvida.

A PT é ainda responsável pela subsidiação dos equipamentos para grupos mais desfavorecidos. O Executivo e a Anacom revelaram preocupação com o preço das caixas conversoras, que podia ser alto demais para alguns cidadãos. Por isso, foi criado um programa "em que a PT subsidia os cidadãos que se inserem neste grupo", explica fonte da Anacom. Em causa estão os beneficiários do rendimento social de inserção, reformados e pensionistas com rendimentos inferiores a 500 euros ou cidadãos com grau de deficiência igual ou superior a 60%. O método é simples: "os cidadãos compram a ‘box' e enviam para a PT a factura do equipamento e um comprovativo de que fazem parte desse grupo".

Vantagens da migração
"Maior quantidade de canais ou canais em alta definição" tem sido o rebuçado que os governos têm utilizado para, de certo modo, compensar os consumidores pelos inconvenientes. Portugal será excepção. O apagão analógico não dará lugar a maior quantidade de canais nem a alta definição. Trata-se, pois, de uma mera conversão tecnológica do que já existe", defende Nuno Cintra Torres, especialista em televisão. "Para quem tem sinal de TV analógico óptimo, não há vantagem quanto à imagem, mas há no som. Para quem não tem uma boa recepção analógica é muito vantajoso. Em qualquer dos casos é preciso investir em tecnologia de recepção". A ‘box' para o sinal terrestre está acessível nas lojas. No caso do satélite o equipamento terá de ser disponibilizado pela PT.

Estimativas do regulador indicam que a passagem para a TDT vá afectar 1,5 milhões de lares. Logo, coloca-se a questão: porquê fazer passagem para o sinal digital? A decisão foi tomada a nível comunitário e acontecerá em todos os países da Europa. É que a mudança reduz o espaço (espectro) necessário para transmitir os quatro canais. Ou seja, onde antes "cabia" um passam a caber quatro ou um canal de alta definição. O espaço que fica disponível deverá ser aproveitado para a quarta geração móvel (LTE).

TDT paga morreu antes de nascer
Quando foi lançado o concurso para a atribuição da licença da TDT gratuita fez-se um concurso semelhante para a TDT paga. A PT venceu as duas licenças (no caso da gratuita foi a única candidata e na paga venceu à Airplus). A Airplus discordou da decisão e interpôs uma providência cautelar o que acabou por atrasar o arranque da operação. A PT avançou entretanto com a sua oferta de televisão paga, o Meo, e pediu à Anacom a revogação da licença, considerando que as condições de mercado se tinham alterado, deitando por terra o projecto da TDT paga.


Tudo o que precisa de saber sobre a Televisão Digital Terrestre

O que é a TDT?
Quem vê hoje gratuitamente os quatro canais generalistas (cinco nos arquipélagos), recebe essas emissões através de uma antena que capta um sinal analógico. A Televisão Digital Terrestre (TDT) é uma nova tecnologia de teledifusão terrestre em sinal digital que também funciona através de antenas e que irá substituir a actual teledifusão analógica terrestre.

Quais as vantagens da TDT, face à actual televisão analógica terrestre?
A TDT disponibiliza, em definição ‘standard', mas com melhor qualidade de imagem e de som, os quatro canais de televisão de âmbito nacional (RTP 1, RTP 2, SIC e TVI), bem como a RTP Açores e a RTP Madeira em cada uma das respectivas Regiões Autónomas. Permite também o acesso a um guia de programação electrónico e a funcionalidades como gravação e pausa da emissão.

Qual o custo para o utilizador?
O acesso é gratuito para toda a população nacional. Mas precisa de ter equipamento apropriado à recepção digital.

É preciso mudar de televisor?
Apenas se o televisor não dispuser de uma tomada de interface SCART para ligar um descodificador adequado. Naturalmente, se o televisor já tiver um descodificador compatível, também não precisará de mudar de televisor.

Quais os modelos e marcas que já suportam a norma usada em Portugal para a TDT?
Os modelos mais recentes de algumas das principais marcas (Samsung, Sony e Philips) já suportam a norma DVB-T e MPEG-4/H.264. Os preços variam consoante a marca e o modelo (vão de 800 a mais de três mil euros).

Porque deve pagar por uma transição que é imposta?
O acesso ao serviço em si continua a ser gratuito, apenas tendo de se dotar de um equipamento. Trata-se de um processo natural sempre que se verifica uma evolução tecnológica, tal como nos anos 80 os televisores a preto e branco foram substituídos por equipamentos a cores, tal como se perspectiva que todos os televisores em definição ‘standard' venham a ser substituídos pelos de alta definição.

Quem já tem televisão por subscrição (cabo, IPTV ou Satélite) pode ter TDT?
Todos têm direito a visualizar os canais gratuitos, mas terá de ter as condições técnicas para o fazer, com um televisor que possua descodificador ou uma ‘set top box'. A mudança estende-se também às antenas.

Se a televisão não estiver preparada para TDT, o que fazer?
Para sintonizar a TDT nos aparelhos de TV mais antigos será necessário usar uma caixa descodificadora (‘set top box'), semelhante às que já hoje são usadas nos serviços de televisão por cabo ou de IPTV. Vão estar disponíveis caixas mais básicas, que apenas descodificam o sinal, mas também aparelhos mais avançados que permitem a gravação de programas. Os preços variam entre 100 e 205 euros.

Quanto vão custar as caixas descodificadoras ('set top boxes')?
A PT afirma que as caixas mais básicas terão um custo que ronda os 50 euros, mas este pode valor pode triplicar para as ‘boxes' mais avançadas.

Vão existir canais pagos ?
Não. Inicialmente estava prevista essa possibilidade, sendo as licenças entregues à PT, mas a empresa acabou por solicitar a devolução da licença alegando que, desde a altura em que lhe foram atribuídos os direitos de utilização das frequências, o mercado de televisão por subscrição foi alvo de desenvolvimentos que "comprometem decisivamente as possibilidades de sucesso do projecto Pay TV" e colocam em causa a viabilidade económica do projecto.

Vai ser preciso uma ‘set top box' para cada TV?
Sim. Cada televisor necessitará de um descodificador de TDT.

As ‘set top boxes' vão ser subsidiadas?
Sim. Vai haver subsidiação para grupos com menores recursos financeiros, os cidadãos com necessidades especiais e as instituições de cariz social. O Governo já tinha adiantado que as pessoas com grau de deficiência de pelo menos 60%, as que recebem rendimento social de reinserção ou pensões inferiores a 500 euros vão ter direito a comparticipações de cerca de 50% na compra dos descodificadores.

Quem contactar em caso de dúvidas?
A PT é a empresa responsável pela infra-estrutura de rede. A operadora mantém um ‘site' de informação e um número de apoio ao cliente onde pode pedir informações adicionais. Tal como acontece actualmente, todos têm direito a visualizar gratuitamente os canais generalistas (RTP, RTP2, SIC e TVI), mas terá de ter as condições técnicas para o fazer, com um televisor que possua descodificador ou uma ‘set top box'.


As grandes mudanças na televisão em Portugal

1957

Surge a televisão em Portugal, com as emissões do canal do Estado: RTP.

1968

É lançada a RTP2.

1972

Nasce a RTP Madeira.

1975

Começam emissões da RTP Açores.

1977

Estreiam as primeiras telenovelas brasileiras (caso de "Gabriela"), as variedades adaptam-se à TV, o humor expande-se ("A Visita da Cornélia") e Portugal pede a adesão à CEE.

1979

Primeiras emissões regulares de televisão a cores.

1980

Festival da Canção é o primeiro programa emitido a cores em Portugal.

1985

É feita a primeira demonstração pública de TV via satélite na inauguração do Amoreiras Shopping.

1990

Surge a Lei da TV por cabo, mas só em 1994 a TV Cabo e outros começam a operar.

1992

Surge a SIC.

1993

Arranque da TVI.

1994

É lançada a televisão por cabo.

1998

Bragatel inicia transmissões com tecnologia eurodocsys 3.0.

2005

Zon TV Cabo inicia passagem dos canais para digital

2006

IPTV adoptada em Portugal com o SmarTV da Optimus Clix.

2007

É lançado o Meo, serviço de televisão paga da Portugal Telecom.

2008

Zon compra TVtel, Bragatel e Pluricanal.

2008 (Outubro)

Iniciam-se as emissões experimentais em Televisão Digital Terrestre a partir do emissor de Palmela.

2009 (Janeiro)

Prosseguem testes da TDT noutras zonas do país.

2009 (29 de Abril)

Arranque oficial da TDT.

2010

Actualmente, cerca de dois terços da audiência de TV portuguesa, ou seja, a soma de todos os operadores de ‘pay TV', recebe toda a sua televisão em formato digital e a quota de audiência dos canais por cabo nos lares subscritores é cerca de 35%.