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Morreu o 'senhor Acontece'

Carlos Pinto Coelho dizia que era "homem sem pátria, sem terra, sem raiz"

Cavaco recorda Pinto Coelho como divulgador da cultura

O Presidente da República recordou hoje a "importante função como divulgador de factos e eventos" da cultura desempenhada por Carlos Pinto Coelho, prestando homenagem a uma figura que os portugueses durante décadas se habituaram a ver e ouvir.

"Presto a minha homenagem perante o desaparecimento de uma figura que, ao longo de décadas, os portugueses se habituaram a ver e a ouvir na televisão e na rádio", lê-se numa mensagem de condolências enviada pelo chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, à família do jornalista Carlos Pinto Coelho.

"Profissional da comunicação com um longo percurso em vários meios, Carlos Pinto Coelho, exerceu, entre outras, uma importante função como divulgador de factos e eventos da nossa cultura e das nossas artes", é ainda referido na mensagem de condolências.

Corpo a partir das 20.00 no Palácio Galveias

O corpo do jornalista Carlos Pinto Coelho vai estar a partir das 20.00 de hoje no Palácio Galveias, em Lisboa, disse à agência Lusa fonte da família.

Carlos Nuno de Abreu Pinto Coelho foi internado de urgência na quarta-feira, no Hospital de São José, em Lisboa, na sequência de problemas cardíacos.Pouco depois foi transferido para o Hospital de Santa Marta onde foi submetido a uma intervenção cirúrgica de urgência.

Ministério da Cultura lamenta morte de Carlos Pinto Coelho

"Prestigiado jornalista", Carlos Pinto Coelho "trilhou um percurso de mais de quatro décadas na imprensa, na rádio e na televisão", refere um comunicado do Ministério no qual a ministra e o secretário de Estado expressam, em seu nome pessoal e do Governo, profunda consternação e pesar pela morte do jornalista.

"A acção muito relevante que desenvolveu em prol da divulgação das artes, da cultura e da língua portuguesa, mas também da cultura lusófona, são reflexo de um homem culto e sensível, profundo humanista e comunicador nato, que cultivou um estilo muito próprio e cujo súbito desaparecimento empobrece insanavelmente o panorama cultural português", acrescenta o documento.

As Primeiras reacções

O jornalista Adelino Gomes considera que Carlos Pinto Coelho, que morreu na quarta-feira, "tinha um conjunto de qualidades que juntas são raras e que o tornaram um jornalista de referência" em Portugal. "Era culto, empático, um excelente conversador e tinha um sentido de ritmo televisivo e radiofónico que tornavam quer os jornais culturais que fazia quer as entrevistas modelos do ponto de vista técnico-profissional", comentou ainda à agência Lusa.

O escritor Mário Zambujal revelou-se "chocado e abalado" com a morte de Carlos Pinto Coelho e relembrou momentos do programa de televisão que apresentavam juntos e a canção que cantavam em coro quando tudo estava pronto para entrarem no ar. "Era sempre uma grande azáfama porque o programa [Fim-de-Semana] era em direto e havia coisas de última hora, as bobinas, os convidados que não chegavam. Quando finalmente nos sentávamos, cantávamos em coro o 'tudo está no seu lugar, graças a Deus, graças a Deus', antes de entrarmos no ar", contou Mário Zambujal, em declarações à agência Lusa. A morte do jornalista foi para Mário Zambujal "um choque muito grande" por várias razões, nomeadamente pelo facto de ser bastante mais novo e de nada indicar problemas de saúde. "Tenho mais 18 anos do que ele e isto faz-me impressão. Eu tratava-o por miúdo", disse Mário Zambujal, escritor, jornalista e amigo de Carlos Pinto Coelho. Há 20 anos, ambos faziam um programa de televisão e a "relação era muito forte e de grande apoio", referiu Zambujal, acrescentando que, depois, tiveram menos contacto durante alguns anos, embora nunca se tenham separado verdadeiramente. Em Outubro, foi Carlos Pinto Coelho que apresentou a mais recente obra de Mário Zambujal, "Dama de Espadas. O escritor lamenta agora "finais de vida tão surpreendentes como este".
O director do Jornal de Letras recorda Carlos Pinto Coelho, que morreu na quarta-feira, "primeiro, como um jovem repórter" com quem trabalhou no Diário de Notícias no pós-25 de Abril e que "fazia um jornalismo vivo e moderno". Em declarações à agência Lusa, José Carlos Vasconcelos lembra também o jornalista como "o homem que passou pela televisão e que fez um programa como o 'Acontece', que marcou por ser o primeiro telejornal cultural português". O director do Jornal de Letras elogia Carlos Pinto Coelho por ter sido "uma pessoa sempre empenhada nessa luta pela cultura e por um jornalismo digno".