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ENTREVISTA: Mário Ribeiro: "Não sou um santo, mas também não sou um terrorista"

Alcançou a fama em 2000, depois da participação no 'Big Brother', mas o sonho terminou em 2007, altura em que foi condenado a sete anos de prisão por assalto a uma loja. Na sua primeira entrevista após ter sido libertado (a 29 de Outubro) o jovem fala, sem subterfúgios, sobre a sua experiência na cadeia e nos projectos futuros.

"Não sou um santo, mas também não sou um terrorista"

Como se sentiu no dia da leitura da sentença?

Na altura em que me foi atribuída a sentença, a juíza leu o acórdão por partes. Pensei que ela estaria a dar a pena a todos. Éramos cinco arguidos e achei que eram dois anos para um, três para outro, e por aí em diante, mas depois "caiu-me a ficha" e percebi que era tudo para mim. A ficha "só caiu" mesmo no dia a seguir, não foi um impacto imediato. Só mesmo à noite é que pensei: são sete anos, e agora?

Que "armas" utilizou para aguentar o tempo que passou atrás das grades?

Foi pensando em etapas, sem contar os dias. Foquei-me nos objectivos que tinha. Custou muito, mas às vezes para nos encontrarmos temos de nos perder. Eu encontrei-me quando me perdi.

Que rotinas foi criando?

Regressei à escola e acabei o 12.º ano. Entrei para a faculdade e ocupei muito o tempo no desporto. Acordava cedo, fazia as minhas corridas, lia muito, ia às aulas e aos treinos. Éramos encerrados às sete e passava o resto do dia no meu quarto e assim se passava o tempo, entre conversas e TV.

O tempo passou e os amigos ficaram?

Já tinha um grupo restrito de amigos, e esses ficaram e continuam a ser os mesmos, independentemente do que se passou.

Os amigos que fez no Big Brother estiveram sempre ao seu lado?

As pessoas com as quais tinha mais afinidade e amizade antes do que se passou foram as que estiveram comigo e com as quais estive sempre em contacto: o Marco, a Marta, a Sónia e o Telmo.

A namorada é que se perdeu pelo caminho....

É verdade. As relações têm de ser tratadas e estimadas e quando duas pessoas estão afastadas fisicamente e depois a tensão que existe à volta delas começa a ser grande, as pessoas começam a afastar-se um pouco. Mas enquanto estive detido tive mais três namoradas. Sempre que estive detido tive namoradas (risos).

Contava os dias pelo calendário?

Não, fixar-se num calendário é pior. É como olhar para um doce e não poder comê-lo.

Do que sentiu falta na cadeia?

Do livre arbítrio que tinha sobre mim próprio. Na prisão temos horas para tudo, temos regras.

Não o ouvi ainda clamar por inocência...

Era errado da minha parte fazê-lo. Era estar a vender uma imagem de santo, que não sou. Mas também não sou um bad boy. Errei, todos nós erramos e fazemos más escolhas na vida. Mas faz parte do passado, recordar isso era atrair coisas más.

O que mais o magoou em todo o processo?

O que mais me revoltou foi a sensação de impotência. Saem notícias e não se pode fazer nada, sentes-te um inútil. Felizmente tenho uma família fantástica, um pai superactivo. O processo tornou-se mais fácil.

A sua mãe esteve na sombra...

É uma pessoa mais discreta. Qualquer mãe sofre, ela sofreu para dentro. O meu pai exterioriza mais. A minha mãe optou pelo silêncio, a atitude dela foi inteligente neste processo. Todas as semanas ia visitar-me.

Falou-se muito na alegada falta de acompanhamento dos concorrentes do primeiro Big Brother e as possíveis consequências negativas. Concorda?

Eu ouvi mil e uma teorias do que me levou a ser preso. Era por causa do programa, porque andava de Ferrari, porque tinha tudo de mão beijada, porque me tinha metido na droga e precisava de dinheiro, entre outras coisas que foram ditas. Por muito que se especule, nunca ninguém acertou. Eu não sou santo, mas não sou um terrorista. As coisas acontecem por um motivo. Era errado justificar-me pela idade, pelo programa ou por más companhias. Existiu, sim, um exagerado alarme à volta do que se passou, mas sou sempre suspeito para dizer se foi justo ou não.

Arrepende-se de ter participado no programa?

Não me arrependo de forma alguma, e digo-lhe mais: se o pessoal se juntasse todo para fazer mais duas semaninhas eu fazia já a mala!